Querido diário,
Esses dias eu recebi o sorriso mais lindo da minha vida.
Eu, com a minha eterna mania de não perceber que as pessoas realmente gostam de mim, fiquei tão emocionada quando aquele povo todo foi me ver, parou de trabalhar, rolaram abraços, felicidades, e sei lá mais o quê. E eu pensando, "mas nossa, faz dois meses que eu não trabalho aqui, vocês ainda gostam de mim?".
Aí né, o cara que me fez perder o ônibus porque a gente ficou muito tempo se despedindo do meu último dia, que me disse: "você é minha melhor amiga, véio" e que me fez chorar bicas, apareceu na minha frente e plim! Sorriso.
Não foi um sorriso. Foi o sorriso. Uma das poucas vezes na vida eu olhei para alguém e vi aquela felicidade sincera. Uma saudade insana, aliada à uma amizade grande junto com um carinho imenso. Aí como eu vou evitar de sorrir também?
Eu não gosto quando sorrio de volta. Nesse caso, em específico, sei que é terreno seguro. É uma amizade estável. Sei para onde a gente vai, não vou me perder pelo caminho. Mas em outras relações - na maioria delas - eu sempre estou dando passos receosos.
Então, por mais que eu queira, não vou poder sorrir de volta para todos que sorrirem de verdade para mim. Porque eu ainda não estou pronta para ficar à mercê de sentimentos. Não funcionou antes. Não quero que funcione agora.
Querido diário, é muito ruim ser mulherzinha. E eu sou muito mulherzinha. Será que as pessoas vão sorrir para mim sabendo disso?
"Um sorriso é a distância mais curta entre duas pessoas." Victor Borge




